A “sociedade do conhecimento” à disposição dos agricultores do Oeste

Publié le par Secção PS - Bombarral

Os agricultores da região Oeste e do Ribatejo passaram a ter ao dispor um novo serviço através da Internet, onde podem obter informações sobre dados meteorológicos e informação sobre a protecção das culturas agrícolas contra pragas, doenças e infestantes.
O projecto InfoAgro está a ser desenvolvido pelo Centro Operativo e Tecnológico Hortofrutícola Nacional (COTHN) e foi apresentado a 22 de Março, numa cerimónia no Inatel da Foz do Arelho.
O InfoAgro consiste num portal na Internet (http://infoagro.cothn.pt) onde está a ser disponibilizada informação de natureza meteorológica de apoio à agricultura, assim como dados relevantes para a protecção das culturas na região Oeste e Ribatejo. Este projecto, denominado InfoAgro surgiu da necessidade de criar uma rede de estações meteorológicas que apoiasse as decisões de culturas agrícolas num determinado território.
O serviço on-line consiste num conjunto de informação produzida e divulgada pelo COTHN oferecendo a possibilidade de diminuir os custos dos produtores agrícolas, ao permitir usar os recursos de forma mais eficiente optimizando o sistema produtivo. As informações são disponibilizadas, preferencialmente, na forma de acesso remoto à base de dados através da Internet e SMS.
Este serviço permite a gestão correcta da água, maior eficiência na fertilização, aplicação racional de pesticida e maior eficiência na colheita. A requisição do serviço é estabelecido contratualmente por períodos anuais e não tem custos para os agricultores associados no caso dos dados meteorológicos, sendo os restantes valores praticamente simbólicos (disponíveis para consulta no site).
“É um projecto que fazia falta para produzirmos mais e melhor, para mostrarmos às pessoas que nos compram a fruta que existe segurança alimentar e que sabemos o que estamos a fazer”, disse Torres Paulo, presidente do COTHN.
Para o responsável, a principal vantagem deste serviço “é produzir com a certeza que se está a fazer bem”, porque dá orientações aos técnicos e aos agricultores a melhor maneira de actuar de acordo com as condições climatéricas.
É fornecida também informação sobre a protecção das culturas agrícolas contra pragas, doenças e infestantes, com especial atenção aos “inimigos chave” em determinado território alvo. A correcta avaliação permite decidir sobre a necessidade de utilização dos meios de luta e minimizar o número de aplicações de produtos fitofarmacêuticos.
A estimativa da gravidade da infestação é possível através da aplicação de modelos fenológicos, modelos matemáticos ou chaves de tomada de decisão que utilizam a informação agroclimática recolhida pelas estações meteorológicas, permitindo avaliar se existem as condições climáticas necessárias ao desenvolvimento do agente em causa.
Segundo o presidente do centro, actualmente não existe nada do género. “O que havia antes era a prática de meter o dedo no ar e ver para onde sopra o vento. As pessoas tinham apenas o seu saber e experiência. Agora queremos fazer algo científico”, afirmou. Apesar de já existirem as estações meteorológicas, “mas aquela informação não era usada”.
Durante o primeiro ano os custos de utilização são baixos, mas a intenção é que de futuro o projecto seja auto-sustentável economicamente no futuro.
 
Projecto demorou dois anos a ser desenvolvido
 
O InfoAgro tem vindo a ser desenvolvido há dois anos pelo COTHN e foi apresentado agora porque queriam que só fosse conhecido quando estivesse a funcionar.
A ideia foi apresentada à Direcção-Geral Protecção Culturas que deu o seu apoio. Para além disso, conseguiram ainda o apoio da APAS (Associação dos Produtores Agrícolas da Sobrena), da Unirocha e da Frutoeste, as quais cederam técnicos e equipamentos.
O site é da responsabilidade da Sitework, uma empresa com a qual já tinham trabalhado em outros projectos. “Queríamos que fosse fácil o acesso ao serviço. Para que isto não seja apenas para os técnicos. Queremos que os agricultores mais evoluídos também se motivem em recolher a informação directamente, embora tenham que recorrer aos técnicos para que os ajudem no resto”, referiu.
Armando Torres Paulo salientou que o COTHN sobrevive apenas das quotas que os sócios pagam e que não tem nenhum apoio estatal. De forma a existirem verbas para o arranque do projecto, contactaram a SAPEC que se tornou o patrocinador único da iniciativa. “A nossa opção neste primeiro ano, que é de risco, foi constituir uma equipa pequena e achámos por bem ter apenas um único patrocinador”, explicou. No futuro poderão vir a alargar o leque de patrocinadores.
O presidente do centro referiu que havia uma grande dificuldade em colocar em funcionamento este sistema, tendo em conta a captação de dados. O projecto arrancou com quatro estações meteorológicas, que recolhem os dados climáticos. Só que há que ter em conta todo o tipo de contratempos (poeiras, vento, pássaros, entre outros) que põem em causa o seu funcionamento em condições. “Vamos ter uma dificuldade constante em manter esse dados fiáveis e activos”, disse.
Para tal foi contratada uma empresa que diariamente irá acompanhar os pontos de recolha de informação, para que ela se mantenha constante durante todo o ano, 24 horas por dia.
Actualmente podem ser consultadas dados das estações de Carrascal (Mafra), Silveira (Cadaval), Runa (Torres Vedras), Sobrena (Cadaval), Paul-Baraçais (Bombarral) e Alcobaça, prevendo-se que até ao final do ano estejam disponíveis mais quatro. “A região Oeste e Ribatejo é a mais dinâmica do nosso país, em termos de agricultura. Por isso, começamos por aqui”, adiantou.
Na cerimónia de apresentação, Torres Paulo fez questão de elogiar o pessoal que faz parte do COTHN e sublinhou o crescimento que esta entidade tem vindo a ter.
 
Pedro Antunes in Gazeta das Caldas

Publié dans Quadro Comunitário

Commenter cet article